Wild Young Hearts | 2010
2010,
Quero agradecer. Você me trouxe pessoas fantásticas até então desconhecidas, deu oportunidades para que eu conhecesse pessoas que sempre estiveram perto e passaram de conhecidos a amigos.
Foram mais de 80 horas dentro de ônibus em apenas 3 viagens. E eu não as trocaria por umas poucas horas num avião por nada nesse mundo. Viagens que fizeram o ano. O frio do #intercom2010 em Caxias do Sul, o #gpciber, as festas com o pessoal mais doido do Brasil. Ê, macarena! JUCS e Comunica, só dá pra dizer uma coisa: quero todo ano.
Passei tempo sem beber, tive uns porres. Separei brigas, briguei. Me arrependo de muito pouco, quase nada. Me arrependo pelos outros mais do que por mim – tenho noção de que preciso aceitar as consequências dos meus atos. Cumpri promessas, quebrei promessas. Não apostei.
Conheci o cabeleireiro da minha vida, e hoje já não vejo como pude ser tão apegada à minha falecida juba gigantesca. Em maio cortei um tico do cabelo, em agosto entreguei o cabelo ao Chris. Em dezembro resolvi mudar tudo e só penso em cortar mais, agora. Finalmente entendi quando me diziam que, quando você encontrasse O SEU cabeleireiro, entregaria nas mãos sem nenhum medo.
2010, você lembra? Eu tive melhores amigas com as quais compartilhei loucuras semanais. Terças e quartas-feiras, jamais consecutivamente, adquiriram significados inúmeros e nos deram muitas histórias pra contar. Lembramos de todas. Já as quintas e os sábados, acho que não lembramos de tudo. Mas a diversão estava lá. E aquela máxima: “não lembro, não fiz”, continua valendo.
Larguei mão de muitas convenções – e me apeguei inconscientemente a muitas outras. Trabalhei, errei, corrigi, recebi. Cresci, caí. Achei que já tava no chão, descobri o subsolo. Você me fez perder o controle mais vezes que em todos os anos anteriores juntos, sabia?
É, 2010, você foi meio hijodeputa também. Levou muita gente querida com você. Gente querida de gente que eu gosto muito, e gente querida da minha coleção de gente, como diria a Marina, também. É, você me fez chorar por mim e pelos outros e sentir saudade e não me conformar com a morte de algumas das melhores pessoas que eu conheci.
Descobri que com toda, toda, toda, toda, toda, mas toda MESMO a certeza do mundo, a gente pensa que conhece as pessoas, mas não conhece. Nem um tico. Todo mundo pode te surpreender. Aprendi também a relevar certas coisas – com um certo limite.
Graças a você, ao estágio e o FILO, pra dizer pouco, me interessei pelo teatro, vivi no universo das artes, ouvi música sempre que possível. Segundo o last.fm, Beatles, pra variar, como os mais ouvidos do ano. Descobri ótimos músicos, fiz amigos por meio da música. Me interessei por cibercultura, redes sociais, NTICs.
2010, você reparou que eu parei de usar calças jeans? Pois é, desde teu agosto elas sumiram da minha vida. Ótimo ver que algo que parecia impossível acabou ficando normal. Não sinto falta nenhuma. Fiz da moda presente e presente na minha vida.
Essa carta tá ficando longa, né? Mas eu tive que ter paciência com você e agora quero que você me ouça, 2010. Me leia, whatever. Aliás, li muito menos do que gostaria, acho triste, viu? Fui obrigada a ler coisas que não me interessavam e pouquíssimos foram os momentos em que agarrei um livro por prazer. Assim não pode, assim não dá.
2010, valeu por tudo aí, viu. Tu tá com um lugarzinho especial aqui na minha memória.
Mas, 2011, por favoor… HUMILHE 2010!
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